Em todos os anos, o mês de outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, e nós não podíamos deixar de falar sobre um assunto tão importante quanto esse. O mês inteiro é dedicado a conscientização para alertar toda a sociedade, sobretudo as mulheres, da importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.

A campanha Outubro Rosa, que é feita mundialmente, foi iniciada em 1990 pela fundação Susan G. Komen for the Cure, dos Estados Unidos, onde laços rosas foram distribuídos a todos os participantes da Corrida pela Cura. Desde então, o período ficou marcado e se espalhou pelo mundo, chegando ao Brasil no início dos anos 2000. Dali para a frente, a data se faz extremamente importante anualmente.

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama é uma doença causada pelo crescimento de células da mama de maneira desordenada, gerando células anormais que se multiplicam e formam um tumor. Ele é o câncer mais comum no Brasil e não possui apenas um tipo. Apesar de geralmente atingir mulheres, essa doença também pode ser causada em homens, porém, apenas 1% do total de casos é em pessoas do sexo masculino.

De acordo com o Ministério da Saúde, não existe apenas uma causa para o câncer de mama, mas há alguns fatores que aumentam o risco da doença, que podem ser:

Ambientais e comportamentais: Obesidade e sobrepeso após a menopausa, sedentarismo, consumo de bebida alcoólica e exposição frequente a radiações ionizantes, como raio X, mamografia e tomografia.

História reprodutiva e hormonal: Primeira menstruação antes dos 12 anos, não ter tido filhos ainda, primeira gravidez após os 30 anos, parar de menstruar após os 55 anos, uso de pílulas anticoncepcionais por um tempo prolongado e ter feito reposição hormonal após a menopausa.

Genéticos e hereditários: Histórico familiar de câncer de ovário e de mama em mulheres ou homens (principalmente antes dos 50 anos), e alteração genética.

Dados da doença no Brasil

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, estima-se que em 2020 sejam diagnosticados 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. Uma outra pesquisa divulgada em 2019 pelo órgão, que mostra a situação do câncer de mama no país, revela que em 2016 foram registradas 16.069 mortes de mulheres brasileiras por câncer de mama, chegando a taxa de 15,4 óbitos a cada 100 mil mulheres.

Principais sintomas

Uma das formas de ir em busca de tratamento na fase inicial da doença é ficar atenta aos principais sintomas causados por ela, que, algumas vezes, podem ser percebidos a “olho nu”. É comum as pessoas acharem que devem observar apenas o aparecimento de nódulos nas mamas, porém, todas as mulheres devem ficar atentas a outros sintomas que podem ser apresentados, principalmente as que estão acima dos 50 anos, idade que aumenta a incidência do câncer.

Alguns desses sintomas são: aparecimento de nódulo fixo e, na maioria das vezes, indolor, pele da mama avermelhada ou retraída, alterações nos mamilos, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço, saída espontânea de líquidos pelos mamilos, feridas ou lesões nas mamas e mudança no formato dos seios, além de inchaço ou dores nas mamas.

Caso você note algum desses sintomas, busque ajuda médica o quanto antes para que haja uma investigação com exames clínicos e de imagens, como a mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. De acordo com o Inca, apesar de os exames serem necessários, a confirmação do diagnóstico só é feita por meio de uma biópsia, onde se retira um fragmento do nódulo ou lesão suspeita e o material é analisado para que o resultado seja definido.

Com o diagnóstico precoce, as chances de cura aumentam para mais de 90 %, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Faça o autoexame

Como ressaltamos, é super importante ficar atenta a todos os sintomas e mudanças que seu corpo apresentar. E para não deixar nenhum detalhe passar despercebido, realize o autoexame, pois ele é um dos métodos para ajudar no diagnóstico precoce. Confira algumas dicas, baseadas em recomendações profissionais, para você fazer o autoexame em casa:

– Na frente do espelho, olhe suas mamas e veja se é possível notar algo diferente, principalmente se há algum dos sintomas que citamos anteriormente: feridas, lesões, inchaço, pele avermelhada ou outras alterações. Faça a observação com os braços caídos, com as mãos na cintura e os braços para traz, e com os braços para cima.

– Toque suas mamas e axilas e busque por algum nódulo ou área endurecida. Apalpe a mama direita com a mão esquerda e a esquerda com a mão direita. Faça movimentos circulares.

– Repita todo o processo também deitada e observe se há algo diferente do que notou enquanto fez o autoexame em pé.

– Observe se há secreções saindo dos seus mamilos. Pressione-os levemente e observe as consequências.

Essa também é uma etapa importante por fazer parte do autoconhecimento do seu corpo. E não esqueça, sempre que notar algo diferente do que você observa naturalmente nessa parte, não hesite em procurar ajuda médica e nem espere que outras mudanças aconteçam para consultar um profissional.

Apesar de o autoexame ser muito importante para notar alguns sintomas, é necessário deixar claro que apenas ele não é o suficiente para diagnosticar o câncer de mama precocemente e que ele também não substitui exames clínicos e uma opinião médica. É apenas uma forma de notar possíveis mudanças e sintomas aparentes. Consulte-se com um médico frequentemente e sempre realize os exames que forem solicitados, principalmente porque a fase inicial da doença pode ser assintomática.

Previna-se!

Segundo informações do Inca, cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de alguns hábitos saudáveis, como por exemplo, praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável, manter o peso corporal adequado, não consumir bebidas alcoólicas, amamentar após a gestação e evitar o uso de hormônios sintéticos (como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal).

Vale ressaltar que ela não é uma doença 100% prevenível, mas essas atitudes podem ajudar o seu não-desenvolvimento.

Um dos exames que ajudam no rastreamento da doença é a mamografia, que é uma radiografia das mamas capaz de visualizar as alterações suspeitas. Ele é capaz de identificar a doença antes mesmo de serem apresentados os sintomas, e, por isso, é recomendado que seja feito rotineiramente, a cada 2 anos, por mulheres de 50 a 69 anos, segundo o Inca. Se houverem suspeitas, a mamografia diagnóstica pode ser feita em mulheres de qualquer idade.

Em 2020, no Brasil, houve uma queda considerável no número de mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em comparação aos anos anteriores, tendo a pandemia como o fator principal para a diminuição das buscas. Para a SBM, essa redução poderá resultar no aumento do tumor e em menores chances de cura. Por isso, se você já passou dos 40 anos, não deixe sua saúde para depois, tenha hábitos saudáveis e mantenha suas consultas médicas em dia. E lembre-se: a prevenção ainda é o melhor remédio para o câncer de mama.

Sobre o autor

Thamires Ribeiro

Jornalista formada pela Universidade Federal de Alagoas, com expêriencia em Webjornalismo, Assessoria de Imprensa e Marketing de Conteúdo.

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